Foto Igor Santana

Pesquisadores de diferentes instituições de ensino do Maranhão, técnicos da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e da empresa Vale reuniram-se nesta terça-feira, 6, para discutir as linhas de pesquisa do Edital nº 39/2017 Logística e Sociedade. O seminário teve como objetivo apresentar os pontos mais relevantes e esclarecer dúvidas dos pesquisadores que têm interesse em submeter propostas ao edital que fica aberto na página da Fapema – www.fapema.br – até o dia 26 de fevereiro. Os recursos da chamada pública, resultado de parceria entre o Governo do Estado e Vale, somam R$ 4,5 milhões para financiamento de projetos que vão contribuir para o avanço do conhecimento e da tecnologia nas áreas de Logística e Sociedade.

A mesa de abertura dos trabalhos contou com participação do secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Davi Telles, que representou o governador Flávio Dino, da diretora Científica da Fapema, Silvane Magali Vale Nascimento, representando o diretor-presidente da Fundação, Alex Oliveira, e da especialista em Tecnologia e Inovação da Vale, Domenica Blundi.

Ao falar para um auditório lotado no Casarão Tech Renato Archer, onde o evento foi realizado durante toda a manhã, o secretário Davi Telles, falou da importância da parceria com a Vale na construção de um edital. “O primeiro ponto relevante do edital é a parceria para o fomento. Os recursos irão possibilitar trabalharmos com diversos temas e subtemas entre os quais logística, energia, engenharia, mas também outras temáticas relacionadas às ciências humanas e a questões ambientais”, observou o secretário.

O secretário discorreu sobre o papel do Governo ao fazer com que as grandes empresas, sediadas no estado, possam dar sua contribuição para fomentar a pesquisa, sobretudo no momento de crise, em que se vê a cada dia a escassez de recursos do governo federal para ciência, tecnologia e inovação. “Ao contrário do que tem acontecido em vários estados brasileiros, aqui no Maranhão, o governador Flávio Dino tem priorizado a ciência e tecnologia e tem investido ano a ano em um volume maior de recursos para a área”, disse.

Ao falar sobre o que levou a Vale a lançar o edital em parceria com a Fapema, Domenica Blundi, disse que a palavra é “cooperação e colaboração”. “Nosso objetivo é abrir as portas da Vale, para que os pesquisadores possam interagir com a indústria, aprender com a indústria e a indústria possa aprender com a troca de talento”, informou. Durante o seminário, Blundi relatou sobre o modelo de cooperação científica e tecnológica da Vale que vem sido desenvolvido e implantado pela empresa desde 2010. “A ideia é que a Vale saia um pouco da relação com a academia e com a ciência e tecnologia de uma forma pontual e tenha isso de modo mais estruturado e mais perene”, completou a especialista.

FORTALECIMENTO DA PESQUISA

É objetivo do edital, fortalecer as universidades, com foco nos programas de pós-graduação do Maranhão, ampliando projetos de pesquisa e inovação nos temas contemplados pelo edital bem como estimular a fixação ou atração de doutores e recém-doutores das Instituições de Ensino Superior (IES) ou Pesquisa no Maranhão. Por meio do edital espera-se fortalecer os grupos de pesquisas maranhenses, que visem contribuir para a produção de conhecimento e fomentar a formação e qualificação de recursos humanos especializados em IES ou pesquisa no estado, e que têm a oportunidade de conseguir bolsas de pesquisa e estimular a integração entre empresa e comunidade científica, para realizar troca de experiências e a busca de soluções conjuntas.

A diretora Científica da Fapema, Silvane Magali, explicou que o edital foi um processo de construção entre a Fapema e a Vale a partir do entendimento da Fundação de realizar ciência e dialogar com todos os sujeitos que compõem a sociedade. “Todas as dimensões da sociedade são fundamentais para se pensar a ciência. Nesse sentido, dialogar com as empresas é importante, mas também dialogar com a sociedade e com pesquisadores e pesquisadoras. É a partir da produção do conhecimento gerado pelos pesquisadores nas instituições de ensino que conseguimos avançar na perspectiva do desenvolvimento”, destacou.

Pretende-se que os projetos aproximem as realidades do setor produtivo e da academia, buscando soluções tecnológicas e científicas que possam ser aplicadas para a melhoria das políticas da empresa e para o desenvolvimento social e econômico do estado, além de fortalecer os grupos de pesquisa que desenvolvem ciência, tecnologia e inovação no Maranhão.

 O edital está pautado nos temas Logística e Sociedade, tendo como subtemas: Automação e avaliação estrutural das ferrovias; Energia e Tecnologias da Informação; Corrosão e patologias estruturais; Segurança operacional; Materiais I e II; Monitoramento de carga e equipamentos em terminais portuários e ferrovias; Meio ambiente e sustentabilidade; Agricultura familiar e extensão rural; Desenvolvimento territorial; Saúde; Educação; e Infraestrutura. Durante o seminário foram formados quatro grupos de trabalho: Logística, Sociedade, Meio Ambiente e Energia, e Tecnologia da Informação. Cada grupo foi coordenado por um profissional da Vale com expertise na área.

Para a pesquisadora Mariana Jorge, doutora em Ciências Fisiológicas, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o edital vem ao encontro de uma política nova de parceria que o meio universitário, acadêmico, busca fortalecer com as empresas. “No momento de dificuldade econômica que estamos passando, é um investimento bom para a área de ciência e tecnologia e que realmente coloca os interesses em comum para a academia e empresas. Existe essa necessidade de cada vez mais se investir nos pesquisadores locais, e esta é uma boa iniciativa”, disse.

A doutora em Agronomia, Elizangela Souza de Araújo, que também participou do seminário, disse que o edital é interessante uma vez que, além de fomentar a pesquisa para o desenvolvimento econômico de forma sustentável, também permite o desenvolvimento de trabalhos na área de sociedade. “As linhas de trabalho permitem que comunidades tradicionais possam ser contempladas no eixo de agroecologia, educação e saúde”, observou a pesquisadora.

*Com informações da Fapema