29/03 15:59

Embrapa Cocais, SECTI, SEDIHPOP e Conecta Brasil 360 assinam termo de cooperação

Divulgação No último dia 1 deste mês, foi realizada assinatura online de termo de cooperação técnica entre Embrapa Cocais, duas secretarias do governo do Maranhão – Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP – e a startup Conecta Brasil 360. O acordo tem o objetivo de desenvolver metodologia de implantação, monitoramento e avaliação de estratégia de inovação social no estado. Essa metodologia será utilizada para monitorar e avaliar os impactos dos projetos desenvolvidos com a temática babaçu, incluindo o projeto em parceria com a Coobavida. O evento foi transmitido online pelo You Tube da Secti e Embrapa e pode ser conferido aqui.

“Essa conjugação de parcerias para inovação aberta com o apoio a políticas públicas pode alavancar a inovação social na cadeia do babaçu”, declarou o chefe da Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento, Bruno Brasil. Para a chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça, a parceria vai permitir transformar em política pública uma metodologia técnico-científica que será gerada no âmbito de projeto de pesquisa liderado pela Embrapa Cocais, com a participação da Conecta Brasil 360, que, juntas, estão promovendo capacitação virtual de quebradeiras de coco babaçu da comunidade quilombola de Pedrinhas em temas relacionados à inovação e ao empreendedorismo. “Ao assumir essa metodologia como política pública e ampliar essa ação para outras comunidades rurais, a Embrapa promove ciência, tecnologia e inovação por meio de pesquisas que valorizam o saber tradicional e o potencial do babaçu como espécie da sociobiodiversidade e identidade cultural do Maranhão, valorizando os subprodutos do babaçu e preservando os babaçuais”, afirmou Lourdes Mendonça.

A diretora administrativa da Conecta Brasil, Letícia Chiari, lembra que a missão da startup é conectar com olhar 360, um olhar sistêmico, integrado para a cadeia produtiva de forma pautada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS da Organização das Nações Unidas – ONU, que abordam de forma integral, transversal e convergente todos os desafios da sustentabilidade. “No projeto da Embrapa, utilizamos Trilhas de Aprendizagem adequadas às identidades socioculturais de grupos socialmente vulneráveis, agregando valor aos seus produtos por meio de um processo de engajamento, aprendizagem e desenvolvimento pessoal e profissional, promovendo autonomia e empoderamento às quebradeiras de coco babaçu”.

O secretário da SECTI, Davi Telles, se mostrou empolgado e com muita expectativa. “Acredito que a cooperação vai permitir o desenvolvimento de políticas públicas a olhos vistos, com inovação tecnológica e social e direitos humanos a um só tempo. Sempre esperança renovada trabalhar com a Embrapa, tesouro do Brasil”. O secretário da SEDIHPOP, Francisco Gonçalves da Conceição, compartilhou o entusiasmo com a cooperação que, segundo ele, “reúne três processos importantes: troca de conhecimentos, transferência de tecnologia e políticas públicas coladas em modelos de desenvolvimento, para que haja coerência e mudança estrutural nas relações sociais, econômicas e políticas e, claro, na vida das pessoas.”.

A iniciativa se espelhou no negócio Delícias do Babassu, gerido por quebradeiras de coco babaçu quilombolas da Comunidade de Pedrinhas Clube de Mães de Anajatuba – MA. A Embrapa Cocais buscou a Conecta Brasil 360 para proporcionar visibilidade, conexão e estruturação de negócios para os produtos oriundos do coco babaçu. Segundo a pesquisadora Guilhermina Cayres, responsável pelo projeto, já existia a comercialização dos produtos de babaçu, mas sem a profissionalização do negócio, daí a ideia da capacitação para estruturar melhor o empreendimento coletivo, que está sendo realizada desde julho de 2020, totalmente virtual, por conta da pandemia, para promover gestão de empreendimento coletivo, identificação e agregação de valor aos diversos subprodutos do babaçu e construção da marca, do processo produtivo e do negócio. “O curso tem propiciado também criar espaços significativos de aprendizagem e troca de experiências e apoiar no planejamento das atividades do grupo, contribuindo para o protagonismo das quebradeiras de coco, o que vai repercutir no produto final do trabalho delas e na cadeia de valor do coco babaçu. Além disso, traz a possibilidade de serem multiplicadoras desse conhecimento para outras mulheres extrativistas”, completa Guilhermina.

A união de todos esses agentes tem fortalecido as aspirações das quebradeiras de coco, que almejam que seus produtos conquistem não só o Maranhão, mas também o Brasil e, quem sabe, o mercado internacional. “É muito gratificante fazer parte dessa primeira turma do curso, com todos esses parceiros importantes. Nós já sabíamos do valor do nosso trabalho, agora estamos nos preparando melhor para empreender nossas conquistas”, disse Roselma Licar, Presidente do Clube de Mães Lar Maria, da Comunidade Quilombola Pedrinhas Clube de Mães, de Anajatuba-MA.

Cooperação com a iniciativa privada – Foram iniciadas ações de pesquisa e transferência de tecnologia em manejo, mecanização e desenvolvimento de cultivares de mandioca visando melhorar a qualidade e a produtividade da matéria–prima da cerveja maranhense Magnífica, feita com mandioca plantada no Maranhão. Pesquisadores da Unidade da Embrapa no Maranhão plantaram, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, respectivamente nos municípios de Magalhães de Almeida, Itapecuru Mirim e Pedro do Rosário, clones do programa de melhoramento genético da Embrapa, de cultivares já existentes na Embrapa Mandioca e Fruticultura e recomendadas para outros estados e também variedades locais já usadas por produtores do Estado.

Na visão do Chefe da Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento, Bruno Brasil, a parceria com a Ambev para produção de cerveja com características locais é um belo exemplo das novas oportunidades que o diálogo constante com o setor produtivo pode propiciar”. A mídia local, nacional e até internacional repercutiu a notícia. Veja algumas citações replicadas, como na revista Forbes e a imprensa italiana.

Segundo o pesquisador Guilherme Abreu, da Embrapa Cocais, líder do projeto, são cerca de 300 genótipos em cada local e espera-se como resultado a recomendação de duas ou três variedades de alta produtividade de raízes e alto teor de amido para cultivo no Maranhão. “Procura-se produtividade acima de 30 toneladas por hectare e teor de amido igual ou maior a 30%. O trabalho de avaliação das características agronômicas dos genótipos e definição de tecnologias para maximizar o potencial das lavouras e raízes repercutirá também na qualidade dos demais subprodutos de mandioca, como a farinha”, completa.

Segundo o gerente agro da Ambev, Vitor Antunes Monteiro, a cervejaria tem preferência por fazer negócios com impacto, para que seja bom não só para a empresa, mas também para parceiros, fornecedores, consumidores e a sociedade como um todo. “Desde o princípio, sabíamos que o uso de tecnologias para aumentar a produtividade e rentabilidade no campo seria fundamental e que, neste sentido, a Embrapa é a melhor parceira. Esperamos, com este projeto, gerar melhorias nos rendimentos de maneira geral, beneficiando principalmente os pequenos produtores. Além disso, faremos programas de treinamento em diversas frentes, capacitando parceiros para que possam se profissionalizar cada vez mais. Tudo pensando na sustentabilidade da iniciativa no longo prazo”.

Para João Zonta, Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cocais, a adoção de tecnologias recomendadas para garantir o fornecimento de raízes em qualidade e quantidade para a indústria processadora vai oferecer nova oportunidade de comercialização, a partir de melhores garantias de compra/venda e de preço das raízes, com venda direta do produtor à indústria, sem a participação dos intermediários. “A cadeia da mandioca ainda está se desenvolvendo no Maranhão e os cultivos no Estado se caracterizam pelo baixo nível tecnológico. Além de disponibilizar material genético de qualidade, percebemos que é necessário atuar em outras áreas, como por exemplo, o manejo da cultura, a mecanização, a multiplicação de manivas, entre outros, o que torna o projeto bastante abrangente”, completou.

O trabalho de transferência de tecnologia voltado para o manejo da cultura da mandioca está sendo realizado associando arroz, feijão e milho, de acordo com as recomendações do Consórcio Rotacionado de Inovação na Agricultura Familiar – CRIAF, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Cocais. Também será implantado o Reniva (Rede de multiplicação e transferência de maniva-semente de mandioca com qualidade genética e fitossanitária), tecnologia desenvolvida pela Embrapa Mandioca e Fruticultura.

O projeto, intitulado “Tecnologia para aumento da produtividade e qualidade (teor de amido) da mandioca no estado do Maranhão”, vai incluir o treinamento de agricultores, técnicos e multiplicadores em mecanização da cultura (plantio mecanizado e colheita semimecanizada), manejo da cultura da mandioca, cooperativismo, associativismo e empreendedorismo comunitário e ainda produção de manivas sementes. Além da Ambev, são parceiros nesse projeto a Embrapa Mandioca e Fruticultura – pela expertise em melhoramento genético da mandioca -, a Embrapa Amapá – pela expertise em mecanização da cultura – e a Fundação Eliseu Alves.

“A gestão da Embrapa Cocais reitera a importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do Maranhão, com projetos inovadores para o desenvolvimento sustentável e geração de renda para o extrativista, o pequeno, o grande e médio produtor”, finaliza Maria de Lourdes Mendonça, chefe-geral da Embrapa Cocais.

Fonte: Embrapa Cocais

Contatos

contatos

Localização

localização

Click to open larger map

Av. dos Holandeses, Quadra 33, Nº 09 - Calhau, São Luís - MA